Escrevo indignada. Realmente indignada. Poderia explicitar em pormenor toda a razão do meu descontentamento face à actualidade musical, mas isso roubar-me-ia o tema de muitos outros textos a serem postados futuramente aqui. Hoje, esta pequena raiva surge da divulgação cultural e de como ela é feita. Por acaso o único factor cultural que abordarei será a música, por ser aquele pelo qual me interesso mais.
Acontece que a música a que a maioria da população tem acesso é, peço desculpa pela frontalidade, intragável. São músicas que não considero música sequer, dado que música implica a criação de uma harmonia e consequente melodia, e tudo o que essa poluição sonora vulgar mostra é uma batida e uma ocasional frase sem conteúdo emocional ou cognitivo. Quer se ouça música no carro, na televisão, em lojas/centros comerciais ou mesmo num bom bar, as probabilidades indicam que ser-se-á bombardeado por "músicas" de qualidade altamente duvidosa. O que significa, para grande pena minha, que quem não tem a sorte de viver numa metrópole na qual se divulga, por vezes gratuitamente, este tipo de cultura, terá sérias dificuldades em se aculturar (partindo do princípio, claro está, de que se trata de alguém que procura conhecer algo novo ou que procura mesmo partir do zero nesta área). Proponho, então: JOGUEM! Por mais incrível que pareça, chegou-se ao absurdo de um jogo de vídeo conter mais referências culturais, não só ao nível da música mas também da pintura, escultura, cinema e cultura geral em geral (que frase engraçada, hm?). E, tal como tenho vindo a verificar, contém bandas sonoras absolutamente formidáveis. Alguns jogos, como o "Fallout New Vegas", utilizam músicas antigas com bastante sucesso, com nomes icónicos como Frank Sinatra e Dean Martin. E outros, criam músicas originais que, quando comparadas com o que a indústria musical anda a fomentar, deixa fisicamente mal-disposto qualquer um com respeito a alguém a quem se pode realmente chamar "músico". Como por exemplo, no "Metal Gear Solid 3", ouvimos um ritmo agradável de Bossa Nova:
Enquanto que, ao pesquisarmos as sugestões dos vídeos mais vistos do youtube, ouvimos isto:
Por outro lado, temos num jogo que é realmente um estimulante do intelecto, "Professor Layton", uma demonstração de uma boa utilização de uma secção de cordas (violino, maioritariamente) numa música ritmada:
E, na rádio, algo que deveria envergonhar qualquer pessoa que tenha trabalhado imenso para aprender um instrumento que necessita de uma destreza e precisão dificílimas de alcançar:
Termino, já nem mostrando nada em comparação por não querer dar "views" a vídeos fracos, mostrando uma música de Smooth Jazz de um jogo intitulado "Ace Attorney", que claramente prova a minha "tese", por assim dizer:
Boa noite
Lógica do Feijão
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Banalidades
Por razões que não são minimamente interessantes, passei hoje uns minutos aguardando numa paragem de autocarros em frente a um hospital. Escusado é dizer que estava repleto de indivíduos de idade já avançada, maioritariamente do sexo feminino. A paragem em questão era, portanto, uma concentração de velhinhas. Não digo velhinhas por desrespeito, que por norma tenho uma enorme admiração por pessoas mais velhas. Digo-o num tom carinhoso. Enquanto ponderava, como puro passatempo, a quantidade de situações impossíveis todas aquelas pessoas já teriam passado, com uma certa culpa de me queixar de tão pouco, eis que uma velhinha, franzina e algo tímida irrompe o silêncio constrangedor do local:
" - Peço desculpa, alguém me sabe dizer se o autocarro 29 passa na estação nova?"
A senhora decerto se arrependeu amargamente de ter proferido uma única palavra. Durante aproximadamente, um conjunto de idosas discutiram fervorosamente o percurso dos autocarros 29 e 6, chegando mesmo a haver uma velhinha, robusta e com as bochechas bem sanguíneas, a ameaçar com a sua muleta uma outra senhora que teimava que o 29 passava pelas duas estações.
Não conheço nenhum dos autocarros e não sei quem tinha razão. Pouco importa. Apenas me fez perguntar como podem achar que o Dragon Ball ou os Happy Tree Friends foram os culpados por uma geração alegadamente violenta.
" - Peço desculpa, alguém me sabe dizer se o autocarro 29 passa na estação nova?"
A senhora decerto se arrependeu amargamente de ter proferido uma única palavra. Durante aproximadamente, um conjunto de idosas discutiram fervorosamente o percurso dos autocarros 29 e 6, chegando mesmo a haver uma velhinha, robusta e com as bochechas bem sanguíneas, a ameaçar com a sua muleta uma outra senhora que teimava que o 29 passava pelas duas estações.
Não conheço nenhum dos autocarros e não sei quem tinha razão. Pouco importa. Apenas me fez perguntar como podem achar que o Dragon Ball ou os Happy Tree Friends foram os culpados por uma geração alegadamente violenta.
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